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quarta-feira, 25 de maio de 2016

CORPUS CHRISTI, Corpo de Deus, a Eucaristia.

A Eucaristia é fonte e centro de toda vida cristã. Nela, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo

A Festa de Corpus Christi surgiu no século XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258), que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra à Sagrada Eucaristia.
A Festa de Corpus Christi é a celebração em que, solenemente, a Igreja comemora o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às ruas. Nessa festa, os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda vida cristã. Nela, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.
Aconteceu que, quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, ocorreu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Dizem que isso ocorreu, porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.
Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia São Tomás de Aquino, ordenou ao Bispo Giácomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, pronunciou, diante da relíquia eucarística, as palavras: “Corpus Christi”.
Em 11 de agosto de 1264, o Papa aprovou a Bula “Transiturus de mundo”, na qual prescreveu que, na quinta-feira, após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra ao Corpo do Senhor.
Em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège como festa diocesana, tornando-se uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica e, depois, no século XIV, em todo o mundo, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.
A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada, todos os anos, na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.
Prof. Felipe Aquino

sábado, 20 de fevereiro de 2016

O MILAGRE EUCARÍSTICO DE LANCIANO






Lanciano: carne de Cristo em custódia de prata




Por volta do ano 700, depois de Cristo, na cidade italiana de Lanciano, viviam no mosteiro de S. Legoziano os Monges de S. Basílio e entre eles havia um que acreditava mais na sua cultura mundana do que nas coisas de Deus. Sua fé parecia vacilante, tinha dúvida de que a hóstia consagrada fosse o verdadeiro Corpo de Cristo e o vinho o Seu verdadeiro Sangue...


Certa manhã, celebrando a Santa Missa, mais do que nunca atormentado pela sua dúvida, após proferir as palavras da Consagração, ele viu a hóstia converter-se em Carne viva e o vinho em Sangue vivo. Sentiu-se confuso e dominado pelo temor, diante de tão espantoso milagre, permanecendo longo tempo transportado a um êxtase verdadeiramente sobrenatural. Até que, em meio a transbordante alegria, o rosto banhado em lágrimas, voltou-se para as pessoas presentes e disse:

"Ó bem-aventuradas testemunhas diante de quem, para confundir a minha incredulidade, o Santo Deus quis desvendar-se neste Santíssimo Sacramento e tornar-se visível aos vossos olhos. Vinde, irmãos, e admirai o nosso Deus que se aproximou de nós. Eis aqui a Carne e o Sangue do nosso Cristo muito amado!"

A estas palavras as testemunhas se precipitaram para o altar e começaram também a chorar e  pedir misericórdia. Logo a notícia se espalhou por toda a pequena cidade, transformando o Monge num novo Tomé.

A Hóstia-Carne, como hoje se observa muito bem, tem o tamanho da hóstia grande atualmente em uso na Igreja Latina. É ligeiramente escura e quando olhada contra a luz adquire um colorido róseo.

O Sangue está coagulado em cinco glóbulos irregulares e diferentes um do outro em sua forma e tamanho tem cor de terra tendente ao ocre. Desde 1713 a Carne está conservada num artístico Ostensório de Prata, finamente cinzelado, estilo napolitano. O Sangue está contido numa rica e antiga ampola de cristal de rocha.

Os Frades Menores Conventuais custodiam o Milagre desde 1252, por determinação do Bispo de Chieti, Laudulfo, e por Bula Pontifícia de 12.05.1252. Antes disso, executavam essa tarefa os Monges Basilianos até 1176 e os Beneditinos de 1176 a 1252.


Em 1258 os Franciscanos construíram o Santuário atual que em 1700 sofreu uma transformação do estilo românico-gótico para o barroco.




Na figura abaixo, atesta-se o teste padrão "electro-phoretic" de proteínas do sangue (fotômetro de Cromoscan). Comprova que o sangue está vivo (fresco)!
 
 
Aos vários reconhecimentos eclesiásticos, feitos em fins de 1574, seguem-se em 1970-1971 - e retomados em 1981 - os reconhecimentos científicos, executados pelo prof. Edoardo Luioli (livre docente em Anatomia e Istologia Patológica e em Química e Microscopia Clínica), coadjuvado pelo prof. Ruggero Berteli da (Universidade de Siena).
 
As análises, procedidas com absoluto rigor científico e documental de uma série de fotografias ao microscópio, deram estes resultados: 

 - A Carne é carne verdadeira. O Sangue é sangue verdadeiro. 
 - A Carne e o Sangue pertencem a espécie humana. 
 - A Carne pertence ao Coração em sua estrutura essencial. 
 - Na Carne estão presentes, em secções, o miocárdio, o endocárdio, o nervo vago e,  - pela expressiva espessura do miocárdio, o ventrículo cardíaco esquerdo. 
 - A Carne e o Sangue pertencem ao mesmo grupo sanguíneo AB. (*) 
 - No Sangue foram encontradas as proteínas normalmente existentes e nas proporções percentuais idênticas às encontradas no sangue normal fresco. 
 - No Sangue foram encontrados também os minerais cloro, fósforo, magnésio, potássio, sódio e cálcio. 
 - A conservação da Carne e do Sangue miraculosos, deixados em estado natural durante doze séculos e expostos aos agentes físicos, atmosféricos e biológicos constitui um Fenômeno Extraordinário.
 
Outro detalhe inexplicável: pesando-se as pedrinhas de sangue coagulado (e todos são de tamanhos diferentes) cada uma delas tem exatamente o mesmo peso das cinco pedrinhas juntas! Deus parece brincar com o peso normal dos objetos.
E antes mesmo de redigirem o documento sobre o resultado das pesquisas, realizadas em Arezzo, os Doutores Linoli e Bertelli enviaram aos Frades um telegrama nos seguintes termos:
        
         " Et Verbum caro factum est" = "E o Verbo se fez Carne!"

Concluindo, pode-se dizer que a Ciência, chamada a manifestar-se, deu uma resposta segura e definitiva a respeito da autenticidade do Milagre Eucarístico de Lanciano.
 
(*) Mesmo tipo sanguíneo encontrado na análise do Santo Sudário de Turim.


- Para maiores detalhes visitem o site abaixo:
 
- http://cienciaconfirmaigreja.blogspot.com.br/2012/08/o-milagre-eucaristico-de-lanciano.html

- http://www.derradeirasgracas.com/index.htm (O Milagre de Lanciano)



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O VALOR DA SANTA MISSA E A EUCARISTIA

A SANTA MISSA

Santa Missa de Sempre


A missa é a renovação do sacrifício de Cristo na Cruz.
É o mais importante ato que podemos participar.
A missa começa por um ato penitencial, um pedido de perdão pelos nossos pecados.
Louvamos a Deus pelo Glória e professamos nossa fé pelo Credo.
No ofertório apresentamos a Deus nossas ofertas que são o pão e o vinho. Elas simbolizam toda nossa vida; nossos trabalhos nossas canseiras, nossos desejos.
A Consagração é o momento em que o celebrante repete as palavras de Cristo na última ceia.

Na Comunhão recebemos em nosso coração o Senhor Jesus.

São 4 os fins principais da Missa:
- Dar culto de adoração ao Pai;
- Agradecer os benefícios recebidos;
- Pedir-lhe perdão dos pecados cometidos;
- Implorar seus dons, graças e benefícios.

Na hora da morte, as missas a que tivermos assistido serão a nossa maior consolação.

O mérito da Missa é infinito, pois infinitos são os méritos de Jesus.
Ela nos perdoa nossos pecados veniais não confessados, dos quais nos arrependemos. Diminui o império de Satanás sobre nós e sufraga as almas do purgatório da melhor maneira possível.

Uma só Missa a que houvermos assistido na vida nos será mais salutar do que muitas a que outros assistirão por nós, depois da morte, diminuindo nosso purgatório.

As graças que não se alcançam na Missa, dificilmente se obtém fora dela. Muito grande é o poder e a força dos pedidos feitos na Missa. São Afonso de Ligório.

Toda Missa nos alcança um maior grau de glória no céu, e nos atrai muitas graças e bênçãos temporais. Preserva-nos de muitas desgraças e fortifica-nos contra as tentações.

A benção do Sacerdote é ratificada nos céus por Nosso Senhor.
Se conhecêssemos o valor da Santa Missa que zelo não teríamos em participar dela. São Cura D'Ars.

Mais se merece em participar de uma só Missa do que distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar toda a Terra. São Bernardo.

A Missa é a fonte de todos os bens. É a melhor das ORAÇÕES, é a rainha, como a chama São Francisco de Salles.


A EUCARISTIA



"Eu sou o pão vivo do céu. Se alguém comer deste pão viverá eternamente". João 6-48

A Eucaristia é o sacramento que contém sob as espécies de pão e vinho, verdadeiro e substancialmente presente, o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, para alimento de nossas almas. É o sacramento do Amor. É o dom dos dons feito aos homens pelo amor extremo do Coração de Jesus.

Deus sendo riquíssimo, não teve coisa maior para nos oferecer, dando-nos a Eucaristia. Santo Agostinho.

Na Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa e o Pão vivo que dá vida aos homens. CVII.

Estimular nas almas a fome apaixonada e insaciável de Jesus Cristo. (Pio XII).

A Eucaristia é saúde da alma e do corpo, remédio de todas as enfermidades. Cura os vícios, reprime as paixões, vence as tentações, comunica maior graça e virtude, confirma na fé, fortalece a esperança inflama e dilata a caridade. (Imitação de Cristo).

Comungai todos os dias. Recebei todos os dias aquilo que vos é útil todos os dias. (Santo Ambrósio).

Se compreendêssemos bem o valor da comunhão, evitaríamos as menores faltas, para termos a felicidade de a receber melhor possível, conservaríamos a nossa alma sempre pura. (Santo Cura D'Ars).

Quando Jesus toma posse da alma pela comunhão, traz consigo riquíssimo tesouro de graças.(Santo Afonso de Ligório).

Aquele que comunga se perde em Deus como uma gota de água no oceano... Saindo da Santa Mesa, somos tão felizes quanto os Reis Magos, se eles tivessem podido levar consigo o Menino Jesus.

Quando uma alma recebe dignamente a comunhão fica de tal modo transformada e mergulhada no amor divino, que não é mais reconhecível em suas ações e palavras. (Sto. Cura D'Ars).

Santa Catarina de Sena viu Jesus Sacramentado nas mãos do sacerdote e a Sagrada Hóstia lhe parecia brilhantíssima fogueira de amor.

Quando Jesus andava no mundo, só o contato de suas vestes curava os enfermos. Como Duvidar que fará milagres estando pessoalmente tão dentro de nós? Se está em nossa casa, como negará o que lhe pedirmos?

Não costuma o Senhor pagar mal a pousada, quando encontra bom acolhimento. (Santa Teresa).

Alma querida, comunga muitas vezes, muitas... Eis o único remédio. Considera que Jesus lá está no sacrário de propósito por ti, só por ti, arde em desejo de entrar em teu coração. (Santa Terezinha).

Ao Pe. Baltazar Alvares apareceu Jesus visivelmente na Eucaristia mostrando-lhe as graças que trazia para os comungantes.

O meu coração pede amor somo o pobe pede pão.
É O MEU CORAÇÃO EUCARÍSTICO.
Faze-o conhecido, torna-o amado, espalha esta devoção.

Para comungar BEM, é preciso estar em estado de GRAÇA.
Quem tiver pedado GRAVE, deve se confessar bem, antes de comungar. Santo Afonso e São Pascoal passavam horas diante do tabernáculo. São Francisco Xavier e São Francisco Regis passavam a noite diante do Sacrário.
Santa Madalena de Pazziz visitava o Santíssimo Sacramento 33 vezes por dia.
São Vicente de Paulo nunca saía de casa sem primeiro saudar o Santíssimo Sacramento.
Ampére, por sua adoração noturna obteve a conversão do grande Frederico Ozanam.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

SINAL DE CONTRADIÇÃO

1. "Este Menino será ocasião de ruína e salvação para muitos em Israel e para ser sinal de contradição", disse Simeão a São José e a Nossa Senhora, quando apresentaram o Menino no templo (Lucas 2, 34).
Cristo, foi, e e será sempre sinal de contradição, porque, segundo as disposições últimas de cada um para receber a VERDADE, será acolhido ou perseguido, amado ou odiado. Ele é sempre o mesmo, enquanto que os homens são diferentes nas suas ações e reações.
Nós vemos todas as coisas à luz do sol, mas não somos capazes de fitar o sol, disse um mestre da vida espiritual. Do mesmo modo vemos tudo à luz de Deus, mas não vemos Deus. Todavia, para encararmos com a luz do sol, precisamos de ter vista sã; se estiver doente, não suportamos a luz e queixamo-nos dela. O mal não está na luz, mas nos nossos olhos doentes, que recorrem a óculos pretos para se não ferirem com a intensidade dos raios solares. Dá-se coisa parecida com a Luz que é Cristo - "Luz que ilumina todo o homem que vem este mundo" (Pro. Jo. 1, 9). Se o nosso olhar estiver doente ou não for límpido nem se dispuser a sê-lo, não somos capazes de encarar a Luz de Cristo, rejeitando-a na nossa vida, enquanto que outros, de olhar puro, a acolhem com alegria e por ela guiam os seus passos. Assim, o mal está em nós, não n'Ele.

2. Cristo, sinal de contradição, é aceite pelos humildes que têm alma de criança; e rejeitado pelos orgulhosos e corrompidos de coração.
É acolhido pelos que têm fome e sede de justiça; e perseguido pelos opressores, violentos e avarentos.
É recebido pelos mansos  e pelos que usam de misericórdia; e recusado pelos que têm as mãos ensanguentadas de crimes individuais e coletivos.
É seguido por aqueles que não usam de dolo nem traição; e desprezado pelos hipócritas e mentirosos.
É amado por aqueles que bendizem e abençoam, "que andam por caminhos justos e falam com retidão,  que desprezam um benefício extorquido e recusam um presente que corrompe, que fecham os ouvidos aos propósitos sanguinários e cerram os olhos para não verem o mal" (Is. 33,13-15); e odiado por aqueles que maldizem, amaldiçoam e procedem com iniquidade.

3. Será Cristo sinal de contradição para mim em alguns pontos da minha vida? Haverá sombras no meu santuário interior, por Ele ainda não ter penetrado nessa área? Que área é essa e por que razão ofereço resistência, recusando-lhe entrada?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

TIPOS DE AMOR: EROS, FILIA (PHILIA) E ÁGAPE

Na língua portuguesa só existe uma palavra para amor: amor. Os gregos fazem três distinções de palavras: eros, filia e ágape. Também na Bíblia e na fé cristã as três palavras definem a intensidade do amor. Essas variações de entendimento sobre a realidade do amor, todos nós já experimentamos. Mas, quem sabe, seria bom algumas reflexões sobre o que significa cada maneira do amor se manifestar.


Eros é o amor carnal, o amor entre homem e mulher, o amor que aproxima duas pessoas que possuem sede de se conquistar. É o amor que pode ser repleto de paixões inebriantes. Interessante que no livro do Cântico dos Cânticos exalta se este amor erótico como um presente que Deus concedeu ao ser humano: “como são ternos teus carinhos, minha irmã e minha noiva! Tuas carícias são mais deliciosas que o vinho; teus perfumes, mais aromáticos que todos os bálsamos” (Ct 4,10). E, ao final, a noiva precisa reconhecer: “porque é forte o amor como a morte… Águas torrenciais não conseguirão apagar o amor, nem rios poderão afogá-lo. Se alguém quisesse comprar o amor com todos os tesouros da sua casa, receberia somente desprezo” (Ct 8,6s).
É uma experiência que todos já tivemos. Esse amor-eros pode ser vivido de forma muito sadia quando o homem integra, unifica corpo e alma. Nas palavras do Papa Bento XVI em sua encíclica Deus Caritas est: “Somente quando ambos (corpo e alma) se fundem verdadeiramente numa unidade é que o homem se torna plenamente ele próprio. Só assim é que o amor – o eros – pode amadurecer até sua verdadeira grandeza”. Na mesma encíclica, o Papa fala que o amor erótico é também o de Deus por nós: Deus assume a natureza humana para amá-la e ser amado. É também o amor dos amigos, o amor pelos doentes e pobres: ali a dimensão erótica expressa o amor carnal em seu sentido pleno de amar a natureza humana.

Filia (PHILOS) é o amor de amizade. É o amor que não monopoliza, não escraviza, não cria dependentes. É o amor que vive a alegria de se comunicar com alguém do jeito que a pessoa é. Esse amor culmina na disposição de expor a vida em benefício do outro. Jesus refere-se a este ideal quando fala de si: “ninguém tem maior amor do que aquele dá a vida pelos amigos” (Jo 15,13). Na vida precisamos cantar, celebrar as amizades. Para Epicuro, filósofo grego nascido em Atenas, a amizade é o máximo que a sabedoria da felicidade nos pode oferecer na vida. Os gregos, nas palavras de Anselm Grün, foram o povo da amizade. Muitas relações são verdadeiramente valiosas porque cresceram sobre o bojo da amizade. Na canção de Rui Biriva se canta “amizade é dom divino da paz. É poesia e violão cantando a mesma canção com duas vozes iguais. São os diamantes da vida que brilham nos olhos da gente. Um amigo é para sempre”.

Ágape é o amor divino, o amor em estado puro. É o amor que é fundado na fé e por ela plasmado. É um benquerer de coração não só ao amigo, mas a todas as pessoas. Não se limita às nossas relações cotidianas e habituais: se estende e prolonga-se até mesmo com aqueles que não temos contato direto. É também o amor de Deus por nós e o nosso amor por Deus. O ágape não quer nada dos outros nem de Deus, não é interesseiro e não espera recompensas e premiações por seus gestos, ama os outros por causa deles mesmos. O ágape não se mistura com os desejos de posse e vontade de dominar e explorar, não é um amor por “piedade” ou por comprimento de deveres morais/religiosos mas, nasce da disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe o amor que nos torna sensíveis também diante de Deus. É neste amor que experimentamos, no serviço ao próximo, o modo com que Deus me ama e tudo o que ele faz por mim e pela humanidade. É o amor reflete o amor divino. É o ápice do amor – união do eros, filia, doação total – pelo qual ansiamos no mais profundo de nosso ser (cf. Hino do Amor, de Paulo, em 1Cor 13, 1-13).
As três maneiras de amor formam um conjunto inseparável. A filia participa da força do eros. E também o ágape precisa do eros, caso contrário se esvazia. O ágape está presente no amor erótico e amigo. Torna se então um amor puro e límpido. Amor que dá sentido para a vida. Novamente nas palavras de Bento XVI “Deus é absolutamente a fonte originária de todo ser; mas esse princípio criador de todas as coisas é, ao mesmo tempo, um amante com toda a paixão de um verdadeiro amor. desse modo, o eros (também a filia) é enobrecido ao máximo, mas simultaneamente tão purificado que se funde com o ágape”. Essa unificação não se dá em confusão. É a unidade que cria o amor, na qual ambos – Deus e o homem – permanecem eles mesmos, mas, nas palavras do Apóstolo Paulo, tornando-se uma só coisa: “aquele, porém, que se une ao Senhor constitui, com Ele, um só espírito” (1 Cor 6,17).
Pe. Éderson Iarochevski

terça-feira, 24 de novembro de 2015

AS SETE ALEGRIAS DE NOSSA SENHORA

1 - A Anunciação do Senhor 
(A alegria diante do anúncio da salvação);

"Alegra-te, filha de Sião exulta Israel e te alegra com todo teu coração, filha de Jerusalém! O Senhor teu Deus está no meio de ti, e é um Salvador Poderoso. Ele exultará de alegria por ti, renovar-te-á com seu amor, alegrar-se-á por ti com gritos de alegria, como nos dias de festa"
(Sofonias 3,14.17-18).

2 - Visita de Maria à Isabel, e santificação de São João Batista no ventre de Isabel 

(Na alegria Maria canta o Magnífica);
"Levanta-te minha amiga, minha bela, e vem! Ó minha pomba que estás nas fendas da rocha, nos esconderijos dos barrancos, mostra-me teu rosto, faze-me sentir tua voz, porque tua voz é suave e teu rosto é formoso"
(Cânticos 2,13b-14).

3 - O Nascimento do Redentor 

(A alegria pela visita dos pastores e dos magos);
"O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz; uma luz refulgiu sobre aqueles que habitaram uma terra tenebrosa.
Multiplicaste o júbilo, aumentaste a alegria. Alegram-se diante de ti como se alegram quando se ceifa, e como se exulta quando se divide a presa. Porque um menino nasceu para nós, nos foi dado um filho. Sobre seus ombros, o sinal da soberania, e é chamado: Conselheiro admirável, Deus poderoso, Pai para sempre, Príncipe da paz" 
(Isaías 9,1-2.5).

4 - A Ressurreição do Senhor Jesus

(A alegria do encontro de Maria com seu filho Ressuscitado):
"Ressuscitei e sempre estou contigo; puseste sobre mim tua mão, me é estupenda tua sabedoria"(Salmo 4 e 139). "Minha força e meu canto é o Senhor. Ele foi minha salvação. Gritos de júbilo e vitória ressoam nas tendas dos justos. A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular.
Eis a obra do Senhor: uma maravilha para nossos olhos. 
Este é o dia que o Senhor fez: alegremo-nos e nele exultemos". 
(Salmo 117,14-15.22-24).

5 - A Ascensão do Senhor Jesus 

(A alegria pela glorificação do Cristo Cabeça da Igreja):
"Povos todos, batei palmas, aclamai a Deus com gritos de alegria!
Porque Javé Altíssimo é terrível, é o grande rei sobre a terra inteira.
Deus sobe entre aclamações, o Senhor, ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai!
Cantai hinos ao nosso rei, cantai!
Deus é o rei de toda a terra, cantai hinos com arte.
Deus reina sobre os povos, Deus se assenta sobre seu trono santo" 
(Salmo 46,6-9).

6 - O Pentecostes 

(A alegria pela infusão do Espirito Santo):
"Assim diz o Senhor: 'Eu derramarei meu espírito sobre toda a carne. Vossos filhos e filhas profetizarão, vossos velhos terão sonhos, vossos jovens terão visões. Mesmo sobre os escravos e escravas derramarei, naqueles dias, o meu espírito'" (Joel 3,1-3).
"Envias o espírito e são criados, e renovas a face da terra. A glória do Senhor seja para sempre. Que o Senhor se alegre com suas obras. Quero cantar ao Senhor enquanto viver, cantar a meu Deus enquanto existir. Que meu canto lhe seja agradável; minha alegria é o Senhor" 
(Salmo 103,30-31.33-34)

7 - A Assunção da Virgem Maria 

(A alegria pela glorificação da Mãe):
"Transbordo de alegria em Deus, e minha alma se regozija no meu Deus, porque ele me vestiu com vestes de salvação, cobriu-me com um manto de justiça, como uma noiva que se enfeita com suas jóias.
Com efeito, como a terra faz brotar sua vegetação e o jardim faz germinar suas sementes, assim o Senhor Deus faz germinar a justiça e o louvor na presença de todas as nações" (Isaías 61,10-11).

 ( A LUZ RESPLANDECE NAS TREVAS MAS
     AS TREVAS NÃO A COMPREENDERAM )

        (João 1,5).

AS SETE DORES DE MARIA

1 - A Apresentação de Jesus no templo e a profecia de Simeão:
"Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará tua alma."(Lucas 2,34-35)
2- A fuga para o Egito:
"Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise". Obediente, "José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito." (Mateus 2,13-14)

3 - A perda do menino no Templo:
Terminada a festa da Páscoa, o menino Jesus ficou em Jerusalém sem que seus pais o percebessem. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. 
(Lucas 2,43-50)

4 - O encontro de Jesus no caminho do Calvário:
Um dos momentos mais pungentes da paixão é o encontro de Jesus com sua mãe no caminho do calvário. As lágrimas que Maria derramou na ocasião, a troca de olhar com o filho, a constatação das crueldades que ele estava sofrendo, tudo causa imensa dor no Seu Coração de Mãe.

5 - Maria fica de pé junto à Cruz de Jesus:
"Junto à Cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena."(João 19,25)

6 - Maria recebe o corpo de Jesus morto em seus braços:
"Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas como os judeus costumam sepultar."(João 19,40)

7 - Maria deposita Jesus no Sepulcro:
"No lugar onde Ele foi sepultado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus."(João 19,41-42)

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

APRENDA A REZAR

Publicado em 16 de fev de 2015
Você sai de uma oração do mesmo jeito como entrou? Pronuncia algumas palavras decoradas, mas nem sabe direito o que está dizendo? Acredita que uma oração eficaz precisa de "arrepios"? Neste vídeo, Padre Paulo Ricardo ensina, a partir do ensinamento dos santos, o que é a oração, e explica, passo a passo, o caminho que conduz ao encontro com Deus. Descubra como rezar para valer e comece uma vida de verdadeira intimidade com o Senhor.


domingo, 22 de novembro de 2015

ALGUNS CATÓLICOS DUVIDAM...



Enquanto alguns católicos duvidam, os demônios creem e estremecem diante da presença real de Jesus na Eucaristia.


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Alguns anos atrás, eu escrevi sobre uma experiência incomum que tive ao celebrar a santa missa: uma pessoa, atormentada pela possessão demoníaca, saiu correndo para fora da igreja no momento da consagração. Voltarei a falar deste caso um pouco mais adiante. 
Eu me lembrei do fato nos últimos dias em face das atuais notícias de que um culto satânico da cidade de Oklahoma (EUA) roubou uma hóstia consagrada de uma paróquia e anunciou que a profanaria durante uma “missa negra”, a realizar-se neste mês de setembro. O arcebispo de Oklahoma, dom Paul Coakley, entrou com uma ação judicial para impedir o sacrilégio e exigir que o grupo devolvesse a propriedade roubada da Igreja. Dom Coakley ressaltou, no processo, que a hóstia seria profanada dos modos mais vis imagináveis, como oferenda feita em sacrifício a Satanás.
O porta-voz do grupo satânico, Adam Daniels, declarou: “Toda a base da ‘missa’ [satânica] é que nós pegamos a hóstia consagrada e fazemos uma ‘bênção’ ou oferta a Satanás. Nós fazemos todos os ritos que normalmente abençoam um sacrifício, que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo. Então nós, ou o diabo, a reconsagramos…”.
À luz do processo judicial, o grupo devolveu à Igreja a hóstia consagrada que tinha roubado. Graças a Deus.
Mas você notou o que o porta-voz satânico atestou sobre a Eucaristia? Ao falar do que seria oferecido em sacrifício, ele disse: “…que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo”.
Por mais grave e triste que seja este caso (e não é o primeiro), esses satanistas explicitamente consideram que a Eucaristia católica É o Corpo de Cristo. Pelo que eu sei, nunca houve tentativas de satanistas de roubar e profanar uma ‘hóstia’ protestante  etc. É a hóstia católica o que eles procuram. E nós temos uma afirmação da própria escritura que garante: “Até os demônios creem e estremecem” (Tiago 2,19).
Em outra passagem, a escritura nos fala de um homem que vagava em meio aos túmulos e era atormentado por um demônio. Quando viu Jesus, ainda de longe, correu até Ele e o adorou (Marcos 5,6). O evangelho de Lucas cita outros demônios que saíam de muitos corpos possuídos e gritavam: “Tu és o Filho de Deus!”. Mas Jesus os repreendia e não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Cristo (Lc 4,41-42).
De fato, como pode ser atestado por muitos que já testemunharam exorcismos, há um poder maravilhoso na água benta, nas relíquias, na cruz do exorcista, na estola do sacerdote e em outros objetos sagrados que afugentam os demônios. Mesmo assim, muitos católicos e não católicos negam ou minimizam esses sacramentais (assim como os próprios sacramentos) e os utilizam de qualquer jeito, com pouca frequência ou sem frequência alguma. Há muita gente, inclusive católicos, que os consideram pouco importantes. Mas os demônios não! Vergonhosamente, os demônios, às vezes, manifestam mais fé (ainda que cheia de medo) que os crentes que deveriam reverenciar os sacramentos e os sacramentais com fé amorosa. Mesmo o satanista de Oklahoma reconhece que Jesus está realmente presente na Eucaristia. É por isso que ele procura uma hóstia consagrada, ainda que para fins tão nefastos e perversos.
Tudo isso me leva de volta ao caso real que eu descrevi já faz um bom tempo. Apresento a seguir alguns trechos do que escrevi há quase quinze anos, quando eu estava na paróquia de Santa Maria Antiga [Old St. Mary, na capital norte-americana] celebrando a missa em latim na forma extraordinária. Era uma missa solene. Não seria diferente da maioria dos domingos, mas algo muito impressionante estava prestes a acontecer.
Como vocês devem saber, a antiga missa em latim era celebrada “ad orientem”, ou seja, voltada em direção ao oriente litúrgico. Sacerdote e fiéis ficavam todos de frente para a mesma direção, o que significa que o celebrante permanecia, na prática, de costas para as pessoas. Ao chegar a hora da consagração, o sacerdote se inclinava com os antebraços sobre o altar, segurando a hóstia entre os dedos.
Naquele dia, eu pronunciei as veneráveis palavras da consagração em voz baixa, mas de modo claro e distinto: “Hoc est enim Corpus meum” [Este é o meu Corpo]. O sino tocou enquanto eu me ajoelhava.
Atrás de mim, no entanto, houve algum tipo de perturbação; uma agitação ou sons incongruentes vieram dos bancos da parte da frente da igreja, logo às minhas costas, um pouco mais para a minha direita. Em seguida, um gemido ou resmungo. “O que foi isso?”, perguntei a mim mesmo. Não pareciam sons humanos, mas grasnidos de algum animal de grande porte, como um javali ou um urso, junto com um gemido plangente que também não parecia humano. Eu elevei a hóstia e novamente me perguntei: “O que foi isso?”. Então, silêncio. Celebrando no antigo rito da missa em latim, eu não podia me virar facilmente para olhar. Mas ainda pensei: “O que foi isso?”.
Chegou a hora da consagração do cálice. Mais uma vez eu me curvei, pronunciando clara e distintamente, mas em voz baixa, as palavras da consagração: “Hic est enim calix sanguinis mei, novi et aeterni testamenti; mysterium fidei; qui pro vobis et pro multis effundetur em remissionem pecatorum. Haec quotiescumque feceritis in mei memoriam facietis” [Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, o mistério da fé, que será derramado por vós e por muitos para a remissão dos pecados. Todas as vezes que fizerdes isso, fazei-o em memória de mim].
Então, ouvi mais um ruído, desta vez um inegável gemido e, logo em seguida, um grito de alguém que clamava: “Jesus, me deixe em paz! Por que me tortura?”. Houve de repente um barulho que lembrava uma briga e alguém correu para fora a um som de gemidos, como de quem tivesse sido ferido. As portas da igreja se abriram e em seguida fecharam. Depois, o silêncio.
Consciência – Eu não podia me virar para olhar porque estava levantando o cálice da consagração. Mas entendi no mesmo instante que alguma pobre alma atormentada pelo demônio tinha se visto diante de Cristo na Eucaristia e não tinha conseguido suportar a sua presença real, exibida perante todos. Ocorreram-me as palavras da escritura: “Até os demônios creem e estremecem” (Tiago 2,19).
Arrependimento – Assim como Tiago usou aquelas palavras para repreender a fé fraca do seu rebanho, eu também tinha motivos para a contrição. Por que, afinal, um pobre homem atormentado pelo demônio era mais consciente da presença real de Cristo na Eucaristia e ficava mais impactado com ela do que eu? Ele ficou impactado em sentido negativo e correu para longe. Mas por que eu não me impactava de forma positiva com a mesma intensidade? E quanto aos outros crentes, que estavam nos bancos? Eu não tenho dúvidas de que todos nós acreditávamos intelectualmente na presença eucarística. Mas há algo muito diferente e muito mais maravilhoso em nos deixarmos mover por ela na profundidade da nossa alma! Como é fácil bocejarmos na presença do Divino e nos esquecermos da presença milagrosa e inefável, disponível ali para todos nós!
Quero deixar registrado que, naquele dia, há quase quinze anos, ficou muito claro para mim que eu tinha nas minhas mãos o Senhor da Glória, o Rei dos Céus e da Terra, o Justo Juiz e o Rei dos reis da terra.
Até os demônios acreditam!
Autor: Padre Charles Pope

OS PEDIDOS DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA


1 - Consagrar-se muitas vezes ao Coração Imaculado de Maria.
2 - Converter-se, deixando o caminho do pecado e fazer vida de expiação, de sacrifício e de penitência.
3 - Entronizar a Imagem do Coração Imaculado de Maria em lugar de honra em casa.
4 - Praticar com fidelidade a devoção dos primeiros sábados com a Comunhão reparadora.
5 - Rezar diariamente o terço, possivelmente em família.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

JESUS CRISTO


Jesus Cristo é a plena concretização das promessas divinas e o firme fundamento para a esperança  do triunfo final de Deus e do homem. Não obstante, a lógica do Reino que ele anunciou requer um coração aberto para aceitar; ela foi incompreendida em sua época pelos seguidores e rejeitada pelas autoridades. Alguns queriam um Messias glorioso que derrotasse militarmente  os opressores romanos e outros se escandalizavam com as atitudes de Jesus, incompatíveis  com a estreita visão farisaica e legalista que possuíam. O ápice da solidão  vê-se na cruz e, mesmo assim, através deste sacrifício, Jesus não apenas derrota  definitivamente  o sofrimento  e a morte, como também  instaura o Reino de Deus na terra. Mas este Reino, embora já seja uma realidade, o é em germe; resta ainda sua manifestação  absoluta no final dos tempos.

É por isso que a história atual é marcada por uma tensão  entre o já e o ainda não. De modo nenhum  isto não significa, absolutamente, um tempo de espera resignada, mas uma peregrinação  em que o homem  ajuda a construir este mundo e colabora com Deus na preparação da vinda definitiva.

"1No princípio já existia a Palavra 
       e a Palavra se dirigia a Deus 
       e a Palavra era Deus.
2Esta, no princípio, se dirigia a Deus.
3Tudo existiu por meio dela, 
       e sem Ela nada existiu de tudo o que existe.
4Nela havia vida, 
       e a vida era a luz dos homens.
5A luz brilhou nas trevas, 
       e as trevas não a compreenderam.
9A luz verdadeira que ilumina todo homem 
       estava vindo ao mundo.
10Estava no mundo, o mundo existiu por ela, 
       e o mundo não a reconheceu"(João 1,1-5.9-10).




DEVOÇÃO A AVE MARIA

 249. Quinta Prática. Terão grande devoção ao recitar a Ave-Maria, ou a Saudação Angélica, da qual bem poucos cristãos, mesmo esclarecidos, conhecem o valor, o mérito, a excelência e a necessidade. Foi preciso que a Santíssima Virgem aparecesse várias vezes a grandes santos muito doutos, para demonstrar-lhes o mérito desta pequena oração, como sucedeu a S. Domingos, a São João Capistrano, ao bem-aventurado Alano de La Roche. E eles compuseram livros inteiros sobre as maravilhas e a eficácia da oração Ave-Maria, para conversão das almas. Altamente publicaram e pregaram que a salvação do mundo começou pela Ave-Maria, e a salvação de cada um em particular está ligada a esta prece; que foi esta prece que trouxe à terra seca e árida o fruto da vida, e que é esta mesma prece que deve fazer germinar em nossa alma a palavra de Deus e produzir o fruto de vida, Jesus Cristo; que a Ave-Maria é um orvalho celeste, que umedece a terra, a alma, para fazer brotar o fruto no tempo adequado; e que uma alma que não for orvalhada por esta prece ou orvalho celeste não dará fruto algum, nem dará senão espinhos, e não estará longe de ser amaldiçoada (Heb 6, 8).
250. No Livro "De Dignitate Rosarii" do bem-aventurado Alano de La Roche, lê-se o seguinte que a Santíssima Virgem lhe revelou: "Saibas, meu filho, e comunica-o a todos, que um sinal provável e próximo de condenação eterna é a aversão, a tibieza, a negligência em rezar a Saudação Angélica, que foi a reparação de todo o mundo. Eis aí palavras consoladoras e terríveis, que se custaria a crer, se não no-las garantissem esse santo homem e antes dele S. Domingos, como, depois dele, muitos personagens fidedignos, com a experiência de muitos séculos. Pois sempre se verificou que aqueles que trazem o sinal de condenação, como os hereges, os ímpios, os orgulhosos, e os mundanos, odeiam e desprezam a Ave-Maria e a oração do terço. Os hereges ainda aprendem e recitam o Pai-Nosso, mas abominam a Ave-Maria e o terço. Trariam antes uma serpente sobre o peito do que o rosário ou o terço. Os orgulhosos também, embora católicos, mas tendo as mesmas inclinações que seu pai Lúcifer, desprezam ou mostram uma indiferença completa pela Ave-Maria, considerando o terço como uma devoção efeminada, suficiente para os ignorantes e analfabetos. Ao contrário, tem-se visto e a experiência o prova, que aqueles e aquelas que possuem outros e grandes indícios de  predestinação, amam, apreciam e recitam com prazer a Ave-Maria. E que quanto mais são de Deus, tanto mais amam esta oração. É o que a Santíssima Virgem diz também ao vem-aventurado Alano, em seguida às palavras que citei.
251. Não sei como isto acontece nem por que; entretanto é verdade, e não conheço melhor segredo para verificar se uma pessoa é de Deus, do que examinar se gosta ou não de rezar a Ave-Maria e o terço. Digo: gosta, pois pode acontecer que alguém esteja na impossibilidade natural ou até sobrenatural de dizê-la, mas sempre a ama e a inspira aos outros.
252. Almas predestinadas, escravas de Jesus e Maria, aprendei que a Ave-Maria é a mais bela de todas as orações, depois do Pai-Nosso. É a saudação mais perfeita que podeis fazer a Maria, pois é a saudação que o Altíssimo indicou a um Arcanjo, para ganhar o coração da Virgem de Nazaré. E tão poderosas foram aquelas palavras, pelo encanto secreto que contêm, que Maria deu seu pleno consentimento para a Encarnação do Verbo, embora relutasse em sua profunda humildade. É por esta saudação que também vós ganhareis infalivelmente seu coração, contanto que a digais como deveis.
253. A Ave-Maria, rezada com devoção, atenção e modéstia, é a santificação da alma, a alegria dos anjos, a melodia dos predestinados, o cântico do Novo Testamento, o prazer de Maria e a glória da Santíssima Trindade. A Ave-Maria é um orvalho celeste que torna a alma fecunda; é um beijo casto e amoroso que se dá em Maria, é uma rosa vermelha que se lhe apresenta, é uma pérola preciosa que se lhe oferece, é uma taça de ambrosia e de néctar divino que se lhe dá. Todas estas comparações são de Santos ilustres.
254. Rogo-vos instantemente, pelo amor que vos consagro em Jesus e Maria, que não vos contenteis de recitar a coroinha da Santíssima Virgem, mas também o vosso terço, e até, se houver tempo, o vosso rosário, todos os dias, e abençoareis, na hora da morte, o dia e a hora em que me acreditastes; e, depois de ter semeado sob as bênçãos de Jesus e de Maria, colhereis bênçãos eternas no céu" (2 Coríntios 9, 6).
(Tratado da Verdadeira Devoção À Santíssima Virgem Maria - São Luiz Maria Grignion de Montfort)