quinta-feira, 9 de junho de 2016

LITURGIA DO DIA 10/06/2016 - "unidos a Cristo como o ramo está unido à videira"

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SEXTA-FEIRA

Ano: C

Santo do dia: Santo Anjo da Guarda de Portugal - anjo da Paz, da Pátria e da Eucaristia.

Cor litúrgica do dia: VERDE

Anos Pares

10ª Semana do Tempo Comum.


Primeira leitura  


Leitura do Primeiro Livro dos Reis (18,41-46)

Naqueles dias, ao chegar a Horeb, o monte de Deus, 
9 ao profeta Elias entrou numa gruta,
onde passou a noite.
E eis que a palavra do Senhor
lhe foi dirigida nestes termos:
11 'Sai e permanece sobre o monte diante do Senhor,
porque o Senhor vai passar'.
Antes do Senhor, porém, veio um vento impetuoso e forte,
que desfazia as montanhas e quebrava os rochedos.
Mas o Senhor não estava no vento.
Depois do vento houve um terremoto.
Mas o Senhor não estava no terremoto.
12 Passado o terremoto, veio um fogo.
Mas o Senhor não estava no fogo.
E depois do fogo ouviu-se um murmúrio de uma leve brisa.
13 Ouvindo isto,
Elias cobriu o rosto com o manto,
saiu e pôs-se à entrada da gruta.
Ouviu, então, uma voz que dizia:
'Que fazes aqui, Elias?'
14 Ele respondeu:
'Estou ardendo de zelo pelo Senhor, Deus Todo-poderoso,
porque os filhos de Israel abandonaram tua aliança,
demoliram teus altares
e mataram à espada teus profetas.
Só eu escapei.
Mas, agora, também querem matar-me'.
15 O Senhor disse-lhe:
'Vai e toma o teu caminho de volta,
na direção do deserto de Damasco.
Chegando lá, ungirás Hazael como rei da Síria.
16  Unge também a Jeú, filho de Namsi, 
como rei de Israel,
e a Eliseu, filho de Safat, de Abel-Meula,
como profeta em teu lugar.

- Palavra do Senhor.

R. Graças a Deus.

Salmo Responsorial  
(Sl 26,7-8a. 8b-9abc. 13-14 (R. 8b))

R. Senhor, é vossa face que eu procuro!

7 Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo,+
atendei por compaixão!*
8a Meu coração fala convosco confiante.   R.

8b é vossa face que eu procuro,+
9a Não afasteis em vossa ira o vosso servo,*
sois vós o meu auxílio! 
9b Não me esqueçais nem me deixeis abandonado,*
9c meu Deus e Salvador!   R.

13 Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver*
na terra dos viventes.
14 Espera no Senhor e tem coragem,*
espera no Senhor!   R.

Evangelho

— O Senhor esteja convosco.
R. Ele está no meio de nós.

 Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus (5,27-32)

R. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
27 Ouvistes o que foi dito:
'Não cometerás adultério'.
28 Eu, porém, vos digo:
Todo aquele que olhar para uma mulher,
com o desejo de possuí-la,
já cometeu adultério com ela no seu coração.
29 Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado,
arranca-o e joga-o para longe de ti!
De fato, é melhor perder um de teus membros,
do que todo o teu corpo ser jogado no inferno.
30 Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado,
corta-a e joga-a para longe de ti!
De fato, é melhor perder um dos teus membros,
do que todo o teu corpo ir para o inferno.
31 Foi dito também:
'Quem se divorciar de sua mulher,
dê-lhe uma certidão de divórcio'.
32 Eu, porém, vos digo:
Todo aquele que se divorcia de sua mulher,
a não ser por motivo de união irregular,
faz com que ela se torne adúltera;
e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério.
—  Palavra da Salvação.
R. Glória a vós, Senhor.
Homilia
O valor da pessoa humana não pode ser diminuído em hipótese alguma. O Evangelho de hoje nos mostra o valor da pessoa como motivação para a vivência plena da Lei. Não é porque eu não fiz nada que eu não desrespeitei. Jesus não quer apenas ato, ele exige de nós uma postura evangélica de quem é capaz de ver o outro e a outra como seres criados à imagem e semelhança de Deus, mas também como renascidos em Cristo para uma vida nova, membros do Corpo Místico de Cristo, unidos a Cristo como o ramo está unido à videira, Templos vivos do Espírito Santo e como consagrados pela graça do Batismo, ou seja, pertencentes ao Pai, amados e amadas por ele e que devem ser respeitados e valorizados.
Fonte CNBB

A exigência do Mestre recupera o respeito pela mulher, enquanto ser humano. O discípulo do Reino é exortado a olhar para a mulher do próximo com pureza de coração, sem se deixar envolver pelo desejo de possuí-la. Caso isto aconteça, infringirá o mandamento de Deus, a partir do momento em que consentir pensamentos libidinosos. Enquanto seus contemporâneos preocupavam-se com o ato exterior de adultério, Jesus preocupava-se com o ato interior, onde tem início o desrespeito ao mandamento divino.

Na visão de Jesus, a maneira como se encarava o 6º mandamento do Decálogo era insuficiente. E mais transpirava uma atitude machista, que considerava a mulher um objeto, uma coisa ou um móvel de casa. Daí que se considerava o adultério como uma espécie de injustiça cometida contra uma propriedade alheia, um atentado ao bem mais precioso de um homem: sua mulher.

Nesta mesma perspectiva, o casamento era uma transação de compra e venda, pela qual um homem adquiria uma mulher como esposa, a qual passava a fazer parte de seus bens. O respeito pela mulher do próximo, portanto, colocava-se no contexto de respeito ao conjunto de seus bens. Como já o referi à pouco, o mandamento assim interpretado fundava-se na coisificação da mulher, cuja dignidade não era reconhecida. Colocada no rol dos bens do marido, ela se via privada da igualdade com o homem, o que não correspondente ao desejo do Criador. Por isso, Jesus viu-se forçado a opor-se a isso, pois isso era contrário ao projeto de seu Pai.

Para os israelitas, a lei de Moisés é todo o Pentateuco, uma lei que, em alguns pontos – ou melhor: em quase todos os pontos – estava sujeita a diversas interpretações, segundo as tendências ideológicas dos diversos grupos políticos e religiosos. O judaísmo recente, nos dias apostólicos, distante do período da religião profética, tornara o Código da Aliança uma “lei religiosa”, inaugurando o legalismo que chega aos nossos dias. Alguns eram extremamente rigorosos em sua interpretação, enquanto que outros eram mais liberais, outros mais moderados. Um caso muito em voga na época de Jesus e, certamente também na época das primeiras comunidades cristãs, era a questão do divórcio.

Afinal para Jesus a Lei não é absoluta como todos pensavam. Só a dureza de coração a justifica assim. Jesus passando ultrapassa o próprio Moisés e apela para o desígnio divino original: homem e mulher possuem igual dignidade. Diante de Deus, homem e mulher têm direitos e deveres iguais.

Na realidade, Jesus continua sustentando a igual dignidade da mulher, uma vez que o costume reivindicava dignidade somente para o varão. Os discípulos, machistas por formação cultural, atônitos, perplexos, sorvem a lição evangélica para a vida do homem e da mulher no Reino de Deus. A mulher vai-se libertando numa luta específica de anos e de séculos para superar a herança infernal de humilhação e desvalorização a qual foi submetida.

A triste herança da nossa cultura biblicista, influenciada pela moral judaico-cristã-muçulmana, é um fardo que vai exigir séculos para ser superada. A visão que tornou a mulher objeto de uso do macho, para seu deleite e aproveitamento, está enraizada em nossa sociedade e só será varrida do mapa com luta explícita, positiva, afirmativa, das mulheres e dos homens que se disponham a levar esta luta conjuntamente. Dignidade do homem, dignidade da mulher, uma só questão onde a reciprocidade é convocada por Jesus.

No campo da democracia com o exercício dos direitos humanos, tão recente, está a chave do igualitarismo pregado por Jesus. A sociedade contemporânea, apesar de ser sensível à igualdade de direitos da mulher, não consegue superar completamente as atitudes de machismo tão antigas como o próprio homem e a própria mulher. O Machismo em muitos casos é favorecido pela mesma mulher que não conhece, ou não quer conhecer seus direitos. Não os quer exercitar em liberdade. Às vezes tem-se a impressão de que a relação de propriedade privada, base fundamental do capitalismo, chegou também à relação matrimonial. Como cristãos e cristãs não podemos beber deste veneno e nem deixar que os nossos irmãos e irmãs continuem dele bebendo. Temos de fazer algo. Apeguemo-nos à mensagem de Jesus. Há uma longa jornada pela frente. Eu e você temos uma árdua tarefa. Mas tenho certeza de que no final tudo darás certo e a justiça trunfará.
Fonte Canção Nova
Deus os Abençoe! 
Paz e Bem.

in Corde Jesu, semper. 

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA


História: Um dos primeiros missionários católicos a chegar ao Brasil, o padre José de Anchieta ficou conhecido pelo seu admirável trabalho de catequese dos índios brasileiros.
Padre José de Anchieta - Acervo Biblioteca NacionalNascido em Tenerife (1533), uma das ilhas Canárias, filho de João Lopes de Anchieta, um revolucionário que tomou parte na Revolta dos Comuneiros contra o Imperador Carlos V, na Espanha; e um grande devoto da Virgem Maria. Sua mãe chamava-se Mência Dias de Clavijo y Larena, natural das Ilhas Canárias, filha de ex-judeus.
Anchieta viveu com os pais até os 14 anos, depois mudou-se para Coimbra – Portugal, onde foi estudar filosofia no Colégio das Artes até seus 18 anos, quando iniciou na Companhia de Jesus. Da família de 12 irmãos, Anchieta teve além dele, mais dois sacerdotes: O Padre Pedro Nuñez e Padre Melchior.
Entre os jesuítas, sua primeira atividade era ajudar na celebração de missas- chegava a efetuar mais de 10 missas por dia, trabalhando acima de 16 horas.
Porém, tanta dedicação causou-lhe alguns problemas de saúde, que se agravaram e se transformaram em constantes dores nas juntas e ossos do corpo, principalmente na coluna. Imaginando que as dores eram provas divinas, o Padre Anchieta dedicava-se ainda mais ao trabalho. O resultado foram dores por lesões permanentes que o acompanharam por toda a vida. Por essas dores ele se interessou em embarcar para o Brasil, devido ao fato de o clima ser mais ameno que o da Europa.
José de Anchieta chegou ao Brasil em 1553, junto com outros padres que se opunham a Contra-reforma religiosa na Europa, que tinham em mente a idéia de catequizar os habitantes das novas terras descobertas. José de Anchieta veio na esquadra de Dom Duarte da Costa, Segundo Governador Geral do Brasil. Junto com ele, vieram mais 6 padres jesuítas, todos doentes, iniciando os trabalhos evangélicos na capitania de São Vicente.
Anchieta não encontrou a cura para seus males e dores, mas se dedicou a catequizar os índios brasileiros e para isso, foi viver no meio deles, aprende com o Padre Auspicueta as primeiras palavras do Abanheenga, língua geral dos índios tupis e guaranis, aprendendo seus idiomas, seus costumes e lendas. Ele foi o primeiro a perceber que existia uma raiz comum nos diversos idiomas indígenas falados em nossa terra. José de Anchieta foi quem consagrou o termo “tupi”, para designar a essa raiz comum entre os idiomas indígenas.
A doze léguas dali, no dia 25 de janeiro ele formou o terceiro colégio regular do Brasil, dia em que foi realizada a primeira missa da fundação sendo celebrada a Conversão de São Paulo, e por esse motivo o lugar foi consagrado ao apóstolo desse nome.
Retornando a Piratininga foi nomeado reitor do Colégio de São Vicente, e elevado em 1578 à dignidade de provincial (superior) do Brasil depois da morte do Padre Manoel da Nóbrega. Chamado pelos gentios de payé-guaçu (amarra-mãos), e de santo pelos portugueses, o sacerdote apresentava-se desarmado diante de índios menos amigos, e obtinha triunfos extraordinários.
Transferido para o atual estado do Rio de Janeiro, participou ativamente da fundação da cidade e foi de importante atuação na expulsão dos invasores franceses calvinistas que ali pretendiam instalar uma colônia. Fundou a Santa Casa da Misericórdia no Rio de Janeiro (1582).
Desenvolveu sua atividade missionária também na Bahia, em Pernambuco e finalmente mudou-se para o Espírito Santo (1587), onde passou a se dedicar à organização de várias aldeias indígenas, até que morreu em Reritiba, hoje Anchieta.

Foi beatificado, ou seja, hoje o correto é chamá-lo de Beato José de Anchieta pelo Papa João Paulo II, no dia 22 junho de 1980, sem provas de seus milagres. O processo de beatificação já se arrastava por mais de 300 anos, a despeito do fato do “milagre” das “três almas salvas” onde em único dia ele conseguiu converter ao cristianismo um homem a morte (o índio Diogo em Santos – SP), um velho e um menino deficiente mental.

Oração do Padre José de Anchieta: Bem-aventurado José de Anchieta. Bem-aventurado José de Anchieta, missionário incansável e Apóstolo do Brasil, abençoai a nossa Pátria e a cada um de nós. Inflamado pelo zelo da glória de Deus, consumistes a vida na promoção dos indígenas, catequizando, instruindo, fazendo o bem. Que o legado de vosso exemplo frutifique novos apóstolos e missionários em nossa terra. Professor e mestre, abençoai nossos jovens, crianças e educadores. Consolador dos doentes e aflitos, protetor dos pobres e abandonados, velai por todos aqueles que mais necessitam e sofrem em nossa sociedade, nem sempre justa, fraterna e cristã. Santificai as famílias e comunidades, orientando os que regem os destinos do Brasil e do Mundo. Através de Maria Santíssima, que tanto venerastes na terra, iluminai os nossos caminhos, hoje e sempre. Amém.
Devoção: à Virgem Maria, os missionários e índios
Padroeiro: Dos apóstolos do Brasil
Padre José de Anchieta, rogai por nós!

LITURGIA DO DIA 09/06/2016 - "nem tudo o que é legal, é justo ou moral"

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QUINTA-FEIRA

Ano: C

Santo do dia: São José de Anchieta.

Cor litúrgica do dia: BRANCO

Anos Pares

10ª Semana do Tempo Comum.


Primeira leitura  


Leitura do Primeiro Livro dos Reis (18,41-46)

Naqueles dias:
41 Elias disse a Acab:
'Sobe, come e bebe,
porque já ouço o ruído de muita chuva'.
42 Enquanto Acab subia para comer e beber,
Elias subiu ao cume do Carmelo,
prostrou-se por terra
e pôs o rosto entre os joelhos.
43 E disse ao seu servo:
'Sobe e observa na direção do mar'.
Ele subiu, observou e disse:
'Não há nada'.
Elias disse-lhe de novo:
'Volta sete vezes'.
44 É sétima vez o servo disse:
'Eis que sobe do mar uma nuvem,
pequena como a mão de um homem'.
Então Elias disse-lhe:
'Vai dizer a Acab que prepare o carro e desça,
para que a chuva não o detenha'.
45 Nesse meio tempo, o céu cobriu-se de nuvens escuras,
soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente.
Acab subiu para o seu carro e partiu para Jezrael.
46 A mão do Senhor esteve sobre Elias;
e ele, cingindo os rins,
correu adiante de Acab até a entrada de Jezrael.

- Palavra do Senhor.

R. Graças a Deus.

Salmo Responsorial  
(Sl 64,10abcd. 10e-11. 12-13 (R. 2a))

R. Ó Senhor que o povo vos louve em Sião!

10a Visitais a nossa terra com as chuvas,*
10b e transborda de fartura.
10c Rios de Deus que vêm do céu derramam águas,*
10d e preparais o nosso trigo.   R.

10e É assim que preparais a nossa terra:*
11 vós a regais e aplainais,
os seus sulcos com a chuva amoleceis*
e abençoais as sementeiras.   R.

12 O ano todo coroais com vossos dons,*
os vossos passos são fecundos;
transborda a fartura onde passais,*
13 brotam pastos no deserto.
As colinas se enfeitam de alegria.   R.

Evangelho

— O Senhor esteja convosco.
R. Ele está no meio de nós.

 Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus (5,20-26)

R. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
20 Se a vossa justiça não for maior
que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus,
vós não entrareis no Reino dos Céus.
21 Vós ouvistes o que foi dito aos antigos:
'Não matarás!
Quem matar será condenado pelo tribunal'.
22 Eu, porém, vos digo:
todo aquele que se encoleriza com seu irmão
será réu em juízo;
quem disser ao seu irmão: 'patife!'
será condenado pelo tribunal;
quem chamar o irmão de 'tolo'
será condenado ao fogo do inferno.
23 Portanto, quando tu estiveres levando 
a tua oferta para o altar, e ali te lembrares
que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
24 deixa a tua oferta ali diante do altar,
e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão.
Só então vai apresentar a tua oferta.
25 Procura reconciliar-te com teu adversário,
enquanto caminha contigo para o tribunal.
Senão o adversário te entregará ao juiz,
o juiz te entregará ao oficial de justiça,
e tu serás jogado na prisão.
26 Em verdade eu te digo: dali não sairás,
enquanto não pagares o último centavo.
—  Palavra da Salvação.
R. Glória a vós, Senhor.
Homilia
Todas as pessoas costumam falar em justiça, mas para a maioria delas o fundamento dessa justiça são princípios e valores humanos, principalmente o que está escrito nas leis. Para nós cristãos, esse critério não é suficiente para entendermos verdadeiramente o que é justiça. Não é suficiente em primeiro lugar porque nem tudo o que é legal, é justo ou moral, como por exemplo a legalização do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Também devemos levar em consideração que todas as pessoas, embora sejam seres naturais, possuem um dom de Deus que faz delas superiores à natureza, participantes da vida divina, e como Deus é amor, o amor é, para quem crê, o único e verdadeiro critério da justiça.
Fonte CNBB

Segundo o Evangelista Mateus, é importante que o homem tenha a consciência de que “A ira do homem não realiza a justiça de Deus” (Tg 1, 20). E que é pela prática da justiça que vem de Deus que a sua vida é restaurada sobre a terra. E isto é tão fundamental que se torna imprescindível na vida existencial do homem e extensivo a todas outras práticas no seu dia a dia para tornar possível a convivência dos homens entre si e entre o meio ambiente.

Ouvistes o que foi dito… Eu, porém vos digo… Jesus não pretende reformar o complexo doutrinal do judaísmo.

Jesus veio nos ensinar a viver em plenitude a Lei de Deus e nos adverte de que a nossa justiça deve ser maior do que a dos mestres da lei e dos fariseus. Eles viviam na rigidez da lei e esqueciam de que o maior mandamento da Lei era justamente o amor e que, mais importante que a Lei em si, é o bom relacionamento entre as pessoas. Muitas vezes nós também, como os escribas e os fariseus, nos apegamos ao que a lei nos exorta a não fazer e ficamos alerta para não cometer aquelas faltas que se constituem as mais graves, como matar, roubar, adulterar, ter maus pensamentos, etc.. “Todo aquele que se encoleriza com o seu irmão será réu de juízo”.

O desejo primeiro de Deus, ao criar os seres humanos, é que vivam na mais perfeita comunhão, deixando de lado tudo quanto possa dividi-los e separá-los pelo muro da inimizade. O ódio e a divisão constituem flagrante desrespeito à vontade divino.

O homicídio é uma forma incontestável de ruptura com o próximo, culminando com a sua eliminação. Para evitar isto, Deus condenou peremptoriamente esse crime, com o mandamento: “não matarás”.

Todavia, a eliminação física do próximo é antecedida por outros gestos de eliminação de igual gravidade. Por exemplo, a simples irritação contra os outros, as palavras ofensivas contra eles são formas sutis de atentar contra a vida alheia. O discípulo do Reino não pode agir desta maneira.

A Palavra de Deus que Jesus veio esclarecer para nós vai muito mais além do que as coisas que nós praticamos, mas atinge também ao que nós pensamos e falamos ou expressamos a partir do nosso coração. Assim sendo, nós não podemos chamar os nossos irmãos e irmãs nem mesmo de tolos ou idiotas. Quanto ensinamento para nós! A oferta que fazemos ao Senhor será desnecessária, se primeiro não oferecermos a nossa compreensão e perdão às pessoas com as quais nos relacionamos. Enquanto caminhamos aproveitemos o conselho do Mestre para que a nossa justiça seja maior do que a justiça dos “mestres da lei” e dos “fariseus” de hoje. Como é a nossa justiça? O que é justo para Deus? A justiça de Deus é o Amor, é o perdão, é a reconciliação. E a nossa? Fazemos as nossas ofertas no Altar do Senhor, mas como está o nosso coração? Reflita agora: – Como você trata as pessoas com quem você convive? – Você tem costume de falar mal os seus amigos, suas amigas? – Você o faz de coração? – E quando você faz a sua oferta na hora do ofertório, qual é a sua atitude diante de Jesus?- Você já pensou que enquanto você faz a oferta do seu coração na hora da Missa, ele pode estar sujo com a injustiça da falta de perdão, da ofensa feita, do ódio por alguém?

A reverência a Deus passa pelo respeito ao próximo.

Na liturgia de hoje, Jesus exige de mim e de ti, como seus discípulos a reconciliação com seu próximo, antes de fazerem sua oferenda a Deus. Se alguém estava para fazer sua oferta, e se recordava de algum desentendimento com o próximo, deveria deixá-la ao pé do altar, para antes ir reconciliar-se. Caso contrário, a oferta não teria valor perante Deus.

Ele vem revelar que qualquer doutrina ou lei só tem valor à medida que contribua para a libertação e a promoção da vida. Jesus não propõe uma doutrina, mas ensina a prática restauradora da vida. A grande novidade que Jesus me ensina hoje é o perdão sem limites e a reconciliação, que me levam à comunhão de vidas com Deus e com os meus irmãos.

Por isso, quero neste dia ó Senhor Jesus que me ensineis a perdoar os meus irmãos e irmãs para poder estar em comunhão com o Vosso e o meu Deus e com os meus irmãos já aqui na terra.
Fonte Canção Nova

Deus os Abençoe! 
Paz e Bem.

in Corde Jesu, semper. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

LITURGIA DO DIA 08/06/2016 - "Em Jesus temos a plenitude da Revelação"

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QUARTA-FEIRA

Ano: C

Santo do dia: São Medardo.

Cor litúrgica do dia: VERDE

Anos Pares

10ª Semana do Tempo Comum.


Primeira leitura  



Leitura do Primeiro Livro dos Reis (18,20-39)

Naqueles dias: 
20 Acab convocou todos os filhos de Israel
e reuniu os profetas de Baal no monte Carmelo.
21 Então Elias, aproximando-se de todo o povo, disse:
'Até quando andareis mancando com os dois pés?
Se o Senhor é o verdadeiro Deus, segui-o;
mas, se é Baal, segui a ele'.
O povo não respondeu uma palavra.
22 Então Elias disse ao povo:
'Eu sou o único profeta do Senhor que resta,
ao passo que os profetas de Baal são quatrocentos e cinqüenta.
23 Dêem-nos dois novilhos;
que eles escolham um novilho
e, depois de cortá-lo em pedaços,
coloquem-no sobre a lenha,
mas sem pôr fogo por baixo.
Eu prepararei depois o outro novilho
e o colocarei sobre a lenha
e tampouco lhe porei fogo.
24 Em seguida, invocareis o nome de vosso deus
e eu invocarei o nome do Senhor.
O Deus que ouvir, enviando fogo,
este é o Deus verdadeiro'.
Todo o povo respondeu, dizendo:
'Ótima proposição.'
25 Elias disse então aos profetas de Baal:
'Escolhei vós um novilho
e começai, pois sois maioria.
E invocai o nome de vosso deus,
mas não lhe ponhais fogo'.
26 Eles tomaram o novilho
que lhes foi dado e prepararam-no.
E invocavam o nome de Baal
desde a manhã até ao meio-dia, dizendo:
'Baal, ouve-nos!'
Mas não se ouvia voz alguma
e ninguém que respondesse.
E dançavam ao redor do altar que tinham levantado.
27 Ao meio-dia, Elias zombou deles, dizendo:
'Gritai mais alto,
pois sendo um deus, tem suas ocupações.
Porventura ausentou-se ou está de viagem;
ou talvez esteja dormindo e é preciso que o acordem'.
28 Então eles gritavam ainda mais forte,
e retalhavam-se, segundo o seu costume,
com espadas e lanças, até o sangue escorrer.
29 Passado o meio-dia,
entraram em transe até a hora do sacrifício vespertino.
Mas não se ouviu voz nenhuma,
nem resposta nem sinal de atenção.
30 Então Elias disse a todo o povo:
'Aproximai-vos de mim'.
Todo o povo veio para perto dele.
E ele refez o altar do Senhor que tinha sido demolido.
31 Tomou doze pedras,
segundo o número das doze tribos dos filhos de Jacó,
a quem Deus tinha dito:
'Teu nome será Israel',
32 e edificou com as pedras um altar ao nome do Senhor.
Fez em redor do altar um rego,
capaz de conter duas medidas de sementes.
33 Empilhou a lenha,
esquartejou o novilho e colocou-o sobre a lenha,
34 e disse: 'Enchei quatro talhas de água
e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha'.
Depois, disse: 'Outra vez'.
E eles assim fizeram uma segunda vez.
E acrescentou: 'Ainda uma terceira vez'.
E assim foi feito.
35 A água correu em voltar do altar
e o rego ficou completamente cheio.
36 Chegada a hora do sacrifício,
o profeta Elias aproximou-se e disse:
'Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel,
mostra hoje que tu és Deus em Israel,
e que eu sou teu servo
e que é por ordem tua que fiz estas coisas.
37 Ouve-me, Senhor, ouve-me,
para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus,
e que és tu que convertes os seus corações!'
38 Então caiu o fogo do Senhor,
que devorou o holocausto, a lenha, as pedras
e a poeira, e secou a água que estava no rego.
39 Vendo isto, o povo todo prostrou-se com o rosto em terra,
exclamando: 'É o Senhor que é Deus,
é o Senhor que é Deus!'

- Palavra do Senhor.

R. Graças a Deus.

Salmo Responsorial  
(Sl 15,1-2a. 4. 5.8 11 (R. 1))


R. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

1 Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! +
2a Digo ao Senhor: 'Somente vós sois meu Senhor.   R.

4 Multiplicam, no entanto, suas dores *
os que correm para os deuses estrangeiros;
seus sacrifícios sanguinários não partilho, *
nem seus nomes passarão pelos meus lábios.   R.

5 Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, *
meu destino está seguro em vossas mãos!
8 Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, *
pois se o tenho a meu lado não vacilo.   R

11 Vós me ensinais vosso caminho para a vida; +
junto a vós, felicidade sem limites, *
delícia eterna e alegria ao vosso lado!   R.

Evangelho

— O Senhor esteja convosco.
R. Ele está no meio de nós.

 Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus (5,17-19)

R. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
17 Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas.
Não vim para abolir,
mas para dar-lhes pleno cumprimento.
18 Em verdade, eu vos digo:
antes que o céu e a terra deixem de existir,
nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei,
sem que tudo se cumpra.
19 Portanto, quem desobedecer
a um só destes mandamentos, por menor que seja,
e ensinar os outros a fazerem o mesmo,
será considerado o menor no Reino dos Céus.
Porém, quem os praticar e ensinar
será considerado grande no Reino dos Céus.
—  Palavra da Salvação.
R. Glória a vós, Senhor.
Homilia
O verdadeiro cumprimento da Lei não significa apenas a obediência a ela. Significa descobrir os valores que são inerentes a ela, as motivações que estão por trás dela e as conseqüências da sua observância para a felicidade pessoal, para a construção de um mundo melhor para todos e principalmente para que possamos descobrir o bem maior para as nossas vidas, que é o projeto de Deus para a humanidade, e assumir como próprio de cada um de nós este projeto que nos é proposto pelo próprio Deus. Jesus nos mostra que Deus não quer de nós a infantilidade da obediência cega, mas a maturidade da co-responsabilidade no projeto do Reino.
Fonte CNBB

Hoje escutamos do Senhor: «Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas; (...), não vim para abolir, mas para cumprir». No Evangelho de hoje, Jesus ensina que o Antigo Testamento é parte da Revelação divina: Deus no início deu-se a conhecer aos homens através dos profetas. O Povo escolhido reunia-se nos sábados na sinagoga para escutar a Palavra de Deus. Assim como um bom israelita conhecia as Escritura e as punha em prática, aos cristãos convém a meditação freqüente diária, se fosse possível, das Escrituras.
            Em Jesus temos a plenitude da Revelação. Ele é o Verbo, a Palavra de Deus, que se fez homem (cf. Jo 1,14), que vem a nós para dar-nos a conhecer quem é Deus e quanto nos ama. Deus espera do homem uma resposta de amor, manifestada no cumprimento dos seus ensinos: «Se me amais, observareis os meus mandamentos» (Jo 14,15).
            No texto do Evangelho de hoje encontramos uma boa explicação na Primeira Carta de São João: «Pois amar a Deus consiste nisto: que observemos os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados» (1Jo 5,3). Observar os mandamentos de Deus garante que lhe amamos com obras e de verdade. O amor não é só um sentimento, senão que também pede obras, obras de amor, viver o duplo preceito da caridade.
            Jesus nos ensina a malicia do escândalo: «Quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar os outros, será considerado o menor no Reino dos Céus» (Mt 5,19). ‘Eu conheço a Deus’, mas não observa os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele» (1Jo2,4).
            Também ensina a importância do bom exemplo: «Quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus» (Mt 5,19). O bom exemplo é o primeiro elemento do apostolado cristão. O próprio Cristo cumpria a lei, não para anulá-la, nem para destruí-la, mas para viver em obediência. Jesus instruiu Seus seguidores a observar os mandamentos.

Certa vez um jovem, príncipe e rico, aproximou-se de Jesus e perguntou-lhe: "Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E respondeu-lhe: Se queres entrar na vida guarda os mandamentos". São Mateus 19, 16 e 17
            Jesus advertiu seus seguidores contra o perigo de menosprezar a obediência a Seus mandamentos. Disse ele: "Nem todo o que me diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus". São Mateus 7, 21. Não basta, para entrar no Reino do Céu, a confissão verbal. É necessário que se cumpra, que se faça a vontade de Deus revelada. E Jesus deixou isso bem claro.
A verdadeira obediência é fruto do amor. Paulo escrevendo aos Romanos 13:10, assim afirmou: "de sorte que o cumprimento da lei é o amor". Jesus relacionou de forma muito clara a ligação do amor e da obediência. Em suas orientações finais aos discípulos, pouco antes de Sua morte, Ele disse: "Se me amais guardareis os meus mandamentos". São João 14:15 "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço". São João 15:10 . Com estas colocações, Jesus não deixa dúvida alguma com respeito a esse assunto. A obediência genuína, tem como fonte geradora o amor. O amor verdadeiro se manifesta através de atos de amor, através da obediência.
São João o apóstolo do amor, em I João 5:2 e 3 escreveu: "Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são pesados".
            Jesus foi vitorioso na Sua luta contra o pecado, porque estava ligado ao Pai, de Quem buscava poder para vencer como humano. Da mesma forma, a vitória de Cristo nos é oferecida! Para que ela seja a nossa vitória, necessitamos estar tão ligados a Jesus, como o ramo está ligado ao tronco.
Ligados dessa maneira a Cristo, produziremos, pelo Seu poder, o fruto da obediência. Somente se permanecermos em Cristo nos será possível prestar obediência de coração, fruto do amor.
            Voltando ao Sermão da Montanha no capítulo 5 de São Mateus, encontramos Jesus apresentando uma dimensão profundamente espiritual dos mandamentos, da lei de Deus. O povo de Israel, estivera tão apegado à forma e a letra da lei, que perdera completamente o discernimento espiritual que sustentava e sustenta cada ordenança.
            Uma religião legal é insuficiente para pôr a alma em harmonia com Deus. Puramente o fundamento destituído de contrição, ternura ou amor, é apenas uma pedra de tropeço. Os que agiram assim nos dias de Jesus eram como o sal que se tornara insípido. Sua influência não tinha poder algum para preservar o mundo da corrupção.
O povo de Israel perdera completamente a percepção da natureza espiritual da lei. Sua obediência não passava de uma mera observância de formas e cerimônias em vez de ser uma entrega do coração à soberania do amor.
            As palavras de Cristo proferidas no sermão da Montanha, conquanto fossem serenas, eram ditas com sinceridade e poder tais que moviam o coração do povo. De pronto se admiravam e percebiam que "ensinava como tendo autoridade".
            O Salvador com Seu divino amor e Sua ternura, exaltava a majestade e beleza da verdade. Com branda, mas profunda influência, os homens eram atraídos para ouvir e aceitar Seus ensinos.
De igual maneira hoje, se olharmos para a lei como um fim em si mesma, nos tornaremos formais, praticantes de uma religião cerimonial destituída de alegria. Mas quando olhamos para a lei e vemos nela, algo que aponta nossa necessidade de Jesus, e encontramos n'Ele, o Salvador que nos perdoa, e nos capacita a viver de acordo com Sua vontade, nos tornamos cristãos felizes na mais completa acepção da palavra.

É esta dimensão espiritual que Cristo resgatou em Seus ensinamentos e que nós necessitamos para revitalizar nossa vida religiosa.
            Pai, livra-me do perigo de reduzir minha obediência aos teus mandamentos à execução mecânica de gestos exteriores. Revela-me, cada vez mais profundamente, a tua vontade, como Jesus. Que ele seja hoje e sempre o meu exemplo de obediência à vossa Palavra viva nos na Lei e nos profetas de hoje! Amém!
Fonte PADRE BANTU MENDONÇA KATCHIPWI SAYLA
Deus os Abençoe! 
Paz e Bem.

in Corde Jesu, semper.